cartas para um astronauta
Carta Nº 0120.08.2026Órbita baixaVinicius Leal1 min de leitura

Primeira carta: sobre o que se diz quando quase nada chega de volta.

Dizem que o espaço é silêncio, mas não é bem assim. O silêncio do espaço é cheio — de estática, de ecos de coisas que foram ditas anos atrás e só agora chegam. É o tempo que a voz leva para atravessar a distância que torna tudo parecido com saudade.

Escrevo isto numa terça-feira comum, com o café esfriando do lado do teclado, e você deve lê-lo em algum ponto de outra órbita, talvez outro ano. Entre o meu agora e o seu depois existe um vão que nenhuma tabela horária resolve. Chamo a esse vão de espaço, no duplo sentido da palavra.

Não tenho pressa. As cartas que valem a pena são as que resistem à viagem.

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